Com um discurso marcadamente político, representantes de igrejas cristãs instaladas em Campinas, lançaram na noite desta segunda-feira (22/02) na Câmara Municipal, a Campanha de Fraternidade 2010. Com o tema “Economia e Vida”, a campanha deste ano faz criticas ao consumismo e ao modo de vida contemporâneo e aproveita o tema para fazer um alerta: “Você não pode servir a Deus e ao dinheiro".
No documento, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe que os cristãos repensem o modelo econômico vigente. Entre as ações propostas estão a luta em favor da tributação justa e progressiva, a auditoria da dívida pública, a adoção de políticas econômicas de distribuição de renda e o direito a alimentação.
Para os líderes religiosos presentes na Câmara, “trabalhar em favor dos pobres não é opção, mas um mandamento, que está explicitado nos mandamentos”, como definiu o diácono João Vicente da Silva, coordenador da campanha em Campinas.
“Os bancos ganharam mais em 2008 do que as 50 nações mais pobres do planeta em toda a sua história”, disse o diácono João Vicente. “A ajuda dada por governos aos bancos na última crise econômica mundial é 4 mil vezes maior que a ajuda oferecida ao Haiti”, acrescentou ele.
“Porque é que se dá ajuda desta magnitude aos bancos e não às milhares de vidas que clamam?”, perguntou o pastor Marcos Jair Eebernig, da Igreja Evangélica Confissão Luterana do Brasil em Campinas. Segundo ele, os governos devem ser os agentes de transformação e lançou um desafio aos Executivos e Legislativos do País. “Que todos os mandatos cumpridos no Brasil, tenham como bandeira principal o compromisso com a promoção da dignidade da vida”, disse.
O cônego João Luiz Fávero – que na solenidade representou o arcebispo Metropolitano de Campinas, D. Bruno Gamberini - explicou as razões pelas quais a igreja se sente compelida a abordar assuntos não religiosos em campanhas como esta. “Tudo o que é importante para o homem, é importante para Deus e para sua igreja”, afirmou. “Aliás, Jesus veio para trazer vida e é isso que a campanha está promovendo”, afirmou ele.
“Este é um momento de reflexão. A campanha propõe uma fé incomodativa, chamando a atenção de pessoas para que adotem uma postura diferente diante da realidade e que reflitam sobre o próprio modo de viver”, disse o vereador Campos Filho (DEM), que foi quem teve a iniciativa de reservar a primeira parte da reunião para o lançamento da campanha. “A campanha tem a pedagogia de transformar a fé em obras”, concluiu o vereador.
Esta é terceira vez que a Campanha da Fraternidade é organizada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), entidade que congrega além da Igreja Católica, a Igreja Luterana, Anglicana, Católica Ortodoxa e Presbiteriana. Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal
Texto: Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal.
Foto: A.C. Oliveira/CMC